21.10.05

...like endless rain into a papercup

De vez em quando, alguém que me reencontra diz que eu tenho andado desaparecido...De vez em quando, quem me dera reencontrar-me e poder dizer o mesmo.
Ultimamente tem chovido. Nunca ninguém menciona como o cinzento pode ser uma cor contagiante. Nunca ninguém compreende como uma peça de roupa de cores "vivas" pode carregar um peso de algo tão avassaladoramente contrário ao que as cores sugerem. Mas que se continua a usar, como se ajudasse a doer menos, como se mantivesse por perto um pouco de alguém que já não está, como se tenta estancar uma ferida que se sabe que não vai parar de sangrar tão cedo.
Ultimamente escreve-se devagarinho, para que ninguém ouça. Escrevem-se coisas que são apagadas a correr e substituídas por uma piadola manhosa, só para brincar aos serviços mínimos. Relembram-se histórias saudosas com o peso de uma idade que não têm, que não temos. Vai-se a festas onde toca tudo o que podíamos querer ouvir numa noite. Já não se manda uma mensagem a avisar. (Re)encontram-se fotos, frases, sítios, músicas que deixam um sorriso entristecido no rosto. E há poucas coisas piores que um sorriso entristecido.
Ultimamente evita-se passar em frente a certas portas, mas quando isso acaba por acontecer, atira-se o olhar para as pedras do chão e os "wassup meeeeeester?!" de sempre para o canto da mente em que falamos sempre sozinhos...
Vem aí o horário de Inverno, mas este ano ficou escuro mais cedo.

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