18.10.07

The anti-Midas

Isto ia mudar. A minha sorte, a minha vida, a minha expressão facial, a minha vontade de sair da cama, os meus sonhos, os meus vícios, os meus medos. Pois ia. Pois claro que era perfeito. Demasiado perfeito. O sorriso, os abraços e afagos, as palavras, o não conseguir ver o caminho de regresso a casa às oito da manhã por ter os olhos demasiado húmidos e nem sequer conseguir discernir se estava feliz ou triste. Overwhelmed. Os filmes na minha cabeça. O nervosismo dos reencontros. As canções partilhadas e trauteadas num carro com vista para o Mercado de Cascais. A vontade de gostar mais de mim. O coração cheio-quase-a-rebentar mas ainda com vaga para mais um abraço daqueles. Que eram provavelmente a coisa mais bonita que me aconteceu nos últimos tempos. A troca de chamadas e mensagens quase telepática. As perguntas com contentores de esperança às costas. As preocupações desnecessárias mas ao mesmo tempo tão adoráveis, porque não estou habituado. Os olhares de relance para o telemóvel de trinta em trinta segundos, das dez da noite às quatro da manhã, à espera de uma mensagem que pode eventualmente chegar ou não. A mão a apertar a minha e uma viagem do Lux até casa sempre em 4a até a arrancar em semáforos porque tudo menos largar-lhe a mão por coisas sem importância.
Alguém me empreste um dicionário de sentimentos, que eu preferi ter inglês na escola. Isto não era nada. Isto era simpatia. Não era suposto despertar reacções. Erro de interpretação. Grave. Devia conhecer o guião, a minha sorte, o meu historial, as minhas hipóteses, a realidade. E a realidade é sempre a mesma. Não estou numa relação, não estive sequer em vias de estar numa relação excepto na minha cabeça, nunca conseguirei estar numa relação enquanto estiver neste planeta, nesta pele, nesta vida. Não há opção. Sou adorável, mas não amável. Sou inútil. Sou maluco por pensar que mãos dadas e abraços e sussurros ao ouvido e tantas outras coisas são sinais de algo bom. Estou errado. Estou desolado. Estou desesperado. Estou a começar a acreditar em bruxas e bruxedos e maldições. Parece resultar para alguns. Parece resultar contra mim. Sempre. Para sempre.
Mais uma vez sonho alto e caio miseravelmente ao acordar. Mais uma vez fico com uma mão cheia de sonhos destroçados. E de noites sem conseguir dormir. E de olhos inchados por não conseguir evitar chorar. Pelos dois, mas também só por mim. Hoje quero livrar-me de tudo o que me faça lembrar de mim. Hoje quero ter o discernimento para desligar o interruptor que se acendeu sem pedir licença. E não esperar mais nada, nem desesperar muito também. Hoje morro de inveja de quem faz chamadas a dizer "Aparece aí, quero foder. Comer-te esse cuzinho..." e a destinatária da chamada está sentada ao lado em menos de meia hora. Só pela taxa de sucesso. Eu devo estar a pedir demais, para aquilo que realmente posso ter. Eu devo transformar tudo o que quero em pedra, e hoje só peço a mim próprio para que não me transforme eu também em pedra. Mas era a solução mais fácil. Menos dolorosa. Menos sensível. Menos desiludível. Hoje escondo-me das canções que me levitaram. Porque não há pára-quedas.

5 comentários:

Anónimo disse...

Agora fiquei curioso para saber quem é que anda a mandar as mensagens libidinosas.

Alex

WallBanger disse...

Quais mensagens? Foi mesmo chamada telefónica, dito assim de chapa com mais 3 gajos à mesa a morder as bochechas por dentro para não se desmancharem a rir. Mas não conheces o gajo, e as revistas cor-de-rosa portuguesas não devem chegar aí, senão até te encaminhava para a Flash desta semana.

Anónimo disse...

A dúvida persiste...

Alex

sofia disse...

tenho saudades tuas! se conseguisse ligar o meu tmn e ver o teu numero ligava-te...

Anónimo disse...

??

É impressão minha, ou esse é o melhor spam para levar as pessoas ao blog de todos os tempos.

Alex